COMO PRODUZIR UMA MATÉRIA PARA A TV COM ALTO PADRÃO DE QUALIDADE

O post de hoje se justifica por dois motivos. O primeiro: nem todo mundo que lê o conteúdo do blog é jornalista ou profissional da mídia. E muitos têm curiosidade de saber como é feita uma reportagem (ou vídeo – institucional, publicitário, etc) para TV.

O segundo: muitos jornalistas querem fazer TV, mas também não sabem como fazer a reportagem. Seja porque a faculdade não deu uma boa base, seja porque nunca trabalharam em televisão e, por isso, falta experiência. Pois bem. Vou tentar descrever os passos básicos para uma boa matéria em vídeo. Digo tentar porque, na prática, a teoria é sempre outra.

Pauta – tudo começa aqui. A pauta é o tema, a ideia, a história que vai ser contada e com ajuda de quem. Nesse momento, as fontes a serem ouvidas (entrevistados) devem ser listadas e discriminadas, com nome, cargo ou profissão e telefone de contato.

Produção – a segunda etapa é a produção. Definido o tema da matéria, o produtor vai traçar um roteiro de gravação das imagens e fazer todos os contatos necessários para que elas sejam captadas sem problemas. Ele deve pedir autorizações para gravar em determinados espaços. Também vai ligar para todas as fontes e marcar os horários de entrevista, para que o repórter possa desenvolver seu texto.

Repórter – o jornalista então, vai apurar as informações e escrever um pré-texto. É bom que o repórter saia da redação com algo previamente escrito, baseado nas informações que colheu. Isso facilita o fechamento da reportagem, agiliza a edição e possibilita ao jornalista já saber quais perguntas vai fazer para cada entrevistado, poupando o tempo de todos.

Dependendo da pauta e da urgência com que deve ser entregue, os offs (textos da matéria) são gravados no carro mesmo, na volta para a redação. Infelizmente, essa correria maluca faz com que muitos repórteres tornem-se “mecanizados”, façam os textos automaticamente, sem exercitar a criatividade na hora de contar a história. Fica uma coisa engessada, quadrada, arroz com feijão. Falta tempero.

Decupagem – a seguir, o repórter assiste a fita gravada. Pode achar alguma imagem interessante para fazer um texto criativo. Também transcreve a fala dos entrevistados e separa os trechos que serão usados na reportagem.

Edição – com o material em mãos, o editor vai montar a reportagem. E usar também a criatividade para torná-la visualmente interessante. Para isso, é preciso que tenha boas imagens gravadas.

Isso parece óbvio, mas as boas imagens são raras. Por alguns motivos simples. Ou porque o cinegrafista não é bom, ou porque, durante a produção, as pessoas não entenderam que era necessário captar boas imagens. Isso vale para reportagens ou para vídeos institucionais. Mas, para espanto geral, não raras vezes, as gravações acontecem em cenários feios. E TV é imagem! É a ditadura da imagem! É preciso conteúdo, mas também uma boa imagem!

Finalizada a edição, a reportagem está pronta para ir ao ar. Às vezes, é necessária uma pós-produção ou a colocação de artes. Algumas vezes o editor mesmo resolve. Em outras, um arte-finalista termina o serviço.

Embora o processo pareça simples, tem de ser ágil. Os repórteres cobrem, quase sempre, mais de uma pauta por dia. E a edição demanda, em média, uma hora para cada minuto editado. Portanto, fazer reportagem em TV ou vídeo dá trabalho. São coisas que não podem ser feitas de uma hora para outra. É bom que as pessoas saibam disso, antes de cobrarem os envolvidos no processo. Um forte abraço.

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